Capital: negociação de jornais e revistas sinaliza campanha difícil

Jornalistas reivindicaram manutenção da Convenção Coletiva até o fim das negociações, mas empresários querem manter vigência das cláusulas só até 30/6. Data base é em 1º de junho.

Por Flaviana Serafim - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Nas próximas três rodadas, continua a avaliação das cláusulas sociais e da pauta econômica. Foto: Flaviana Serafim/SJSPNas próximas três rodadas, continua a avaliação das cláusulas sociais e da pauta econômica. Foto: Flaviana Serafim/SJSPA primeira rodada da Campanha Salarial de Jornais e Revistas da Capital ocorreu na tarde desta quarta-feira (23) entre o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e o Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas de São Paulo (Sindjore). A data base dos trabalhadores e trabalhadoras do setor é neste 1º de junho.

A primeira mesa começou quase dois meses após a apresentação da pauta pela bancada dos jornalistas, entregue aos empresários em 29 de março, e, pela postura patronal na negociação deste 23 de maio, a sinalização é de que a Campanha Salarial 2018-2019 será difícil, avaliam os dirigentes do SJSP, pois há uma pressão geral para redução de direitos dos profissionais de jornais e revistas.

Das 67 cláusulas propostas pelo SJSP (confira a íntegra da pauta), os empresários analisaram e responderam a 42 pontos, dos quais 31 o patronal quer que sejam mantidos da mesma forma como estavam na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2017-2018, sem as alterações de redação reivindicadas pelos jornalistas.

Para outras oito cláusulas, as empresas querem mudança na redação, mas para reduzir direitos dos profissionais e introduzindo conceitos trazidos desde novembro passado pela “reforma” trabalhista, como o de trabalho intermitente (forma de contratação na qual o profissional fica à disposição da empresa, só recebendo pelas horas trabalhadas quando for chamado pelo patrão e, se for convocado e não puder trabalhar, é obrigado a pagar 50% do receberia ao empresário).

A bancada do Sindjore ainda propôs a exclusão de três cláusulas que estão há anos na CCT - a que prevê adicional de 40% nos casos de acúmulo de função e a que limita a 25% o total de jornalistas colaboradores que não têm vínculo empregatício, além da extinção do item sobre homologação no SJSP.

Com a “reforma” da CLT, a homologação no sindicato deixou de ser obrigatória, mas os jornalistas propuseram uma cláusula na pauta para que as empresas comuniquem o SJSP por e-mail nos casos de demissão, como forma de conferir a rotatividade da categoria e para que o Sindicato possa acompanhar se as verbas rescisórias estão sendo pagas corretamente aos trabalhadores.

Nesta primeira rodada, a bancada dos jornalistas também reivindicou que a vigência da CCT fosse mantida até o final das negociações, mas o Sindjore aceitou ampliar a validade das cláusulas somente até 30 de junho.

Foi definido ainda um calendário inicial de negociações para os dias 29 de maio e 12 de junho. Na próxima rodada, o SJSP vai responder aos empresários sobre as cláusulas analisadas neste 23 de maio e o Sindjore vai avaliar as novas propostas apresentadas pelos jornalistas.

Quanto à pauta econômica, os pontos serão analisados na terceira rodada, em 12 de junho, após a divulgação da inflação acumulada pelo INPC desde 1º de junho de 2017 até 31 de maio deste ano. Além da reposição do índice acumulado no período sobre os salários e benefícios, os jornalistas reivindicam 3% de aumento real.

Confira outras informações no vídeo com Paulo Zocchi, presidente do SJSP:

Alterado em 29/05/2018 às 15h05 para atualização de informações.