Campinas: pagamentos continuam atrasados no Correio Popular

Rede Anhanguera de Comunicação segue descumprindo acordo judicial e atrasos se acumulam prejudicando os jornalistas

Enfrentando constantes atrasos de pagamentos desde 2016, os jornalistas da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC), que publica o Correio Popular, de Campinas, seguem sem receber salários porque a direção da empresa continua descumprindo o acordo judicial firmado em junho passado no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região.

O acordo determinou o pagamento semanal de um quarto do salário e dos benefícios (vales refeição e alimentação), sempre às sextas-feiras, mas, quando o pagamento ocorre, é de apenas um oitavo do valor.

A RAC também descumpriu o cronograma para quitação do salário de maio, que segue em aberto assim como o de outubro e novembro, e deve seis meses de vales refeição e alimentação. A primeira parcela do 13º, que deveria ter sido depositada no último dia 30 de novembro, é outra pendência da rede com seus trabalhadores.

Cansados de promessas não cumpridas, os jornalistas fizeram greve e cruzaram os braços no último dia 8 de dezembro, mas voltaram ao trabalho depois que a direção da empresa afirmou que nesta semana entregaria uma planilha para “repactuar” o cronograma de pagamentos.

Contudo, em vez da planilha com o cronograma, a RAC entregou nesta quinta-feira (14) um documento genérico à Regional Campinas do Sindicato dos Jornalistas Profisisonais no Estado de São Paulo, no qual a empresa afirma que vai se esforçar "ao máximo para realizar os pagamentos em dia", mas sem apresentar nenhuma proposta concreta para quitar os débitos. 

Além disso, na redação, a direção da empresa tem pressionado e culpabilizado os jornalistas cotidianamente por protestarem contra os atrasos, afirmando que, se não trabalharem, não há como a RAC se recuperar financeiramente.

Nesse período de dois anos em que atrasa salários e benefícios, a rede está irregular, ainda, quanto ao pagamento das férias, do recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Imposto de Renda dos trabalhadores que, apesar de descontado dos jornalistas, não foi repassado à Receita Federal, o que fez com que muitos profissionais caíssem na malha fina.

Escrito por: Flaviana Serafim – Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo