Brasil: cortes salariais, demissões e contágios por Covid-19 golpeiam o jornalismo

A pandemia causada pelo novo coronavírus tem intensificado a crise que açoita o modelo de negócio do jornalismo tradicional

No Brasil, as empresas de comunicação estão demitindo seus trabalhadores e/ou reduzindo seus salários, além de reduzir a jornada de trabalho de seus empregados. Apesar desta situação, os jornalistas estão trabalhando em condições mais duras e mais difíceis, muitas vezes sem as medidas e os materiais necessários para proteger sua saúde.

As reduções salariais têm acontecido em muitos meios de comunicação, incluindo as grandes empresas. A editora Globo, com sede no Rio de Janeiro, e o jornal O Estado de São Paulo, aplicaram cortes de 25% em todos os salários de seus trabalhadores e uma redução similar em sua jornada laboral. Todas as reduções salariais foram autorizadas pelo governo brasileiro.

A situação, no entanto, é mais grave nos meios que realizam demissões em massa e aconteceram em, pelo menos, cinco estados do país. Os sindicatos de jornalistas estão lutando para evitar que as mudanças nos contratos de trabalho se realizem mediante acordos individuais e sejam negociados coletivamente com a finalidade de proteger os direitos mais básicos dos trabalhadores.

Por outro lado, os trabalhadores dos meios que não perderam seu emprego ou exercem a profissão como freelancers, enfrentam a graves ameaças para sua saúde como o estresse ou a ansiedade ao atuar na linha de frente para informar a população e sofrerem risco real de contágio pela covid-19.

Até este fechamento, três profissionais morreram vítima do vírus e vários outros/as companheiros/as foram infectados em quatro estados brasileiros, especialmente no Rio de Janeiro, onde dezenas de jornalistas se contagiaram com o vírus.

Assessorados pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os Sindicatos de Jornalistas estão negociado com as empresas medidas sanitárias para proteger seus trabalhadores/as. A Fenaj também orienta aos jornalistas para que identifiquem e informem situações de risco, tomem todas as medidas de proteção necessárias e informem a seus sindicatos de situações em que as empresas não cumpram com as recomendações sanitárias.

Maria José Braga, Presidenta da FENAJ e membro do Comitê Executivo da FIJ