Após seis meses de negociação, jornalistas aceitam a nova proposta das empresas e encerram Campanha Salarial

Reajuste pela inflação se dará nos salários até R$ 10 mil, salários acima terão valor fixo de R$ 478

Por Adriana Franco - Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

O plebiscito realizado de 3 a 6 de dezembro nas redações e na sede do Sindicato finalizou com os jornalistas do segmento de jornais e revistas da capital aceitando a proposta patronal de reajuste salarial de 4,78% para salários de até R$ 10 mil e aumento fixo de R$ 478,00 nos salários acima. Dos 404 jornalistas consultados, 85% foram favoráveis à proposta, que reajustará as demais cláusulas econômicas por 4,78%. O valor retroativo à data-base de 1º de junho deverá ser pago até a folha de pagamento de março de 2020, paga em abril, condicionando que as empresas possam antecipar os pagamentos se quiserem.

Diante do resultado final (veja abaixo), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) comunicou o sindicato patronal ainda nesta sexta-feira (6). Dessa maneira, o 13º salário, pago até 20 de dezembro, já sofrerá reajuste.

A proposta anterior de reajuste pela inflação para salários de até R$ 7 mil e aumento fixo de R$ 334,60 para salários acima havia sido rejeitada pela categoria. Durante as negociações, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) insistiu na proposta inicial da categoria pelo aumento real para todos, mas diante da dificuldade em avançar com as negociações passou a reivindicar, como patamar mínimo, o reajuste inflacionário para todas as faixas salariais. Na última rodada, o SJSP sugeriu a inclusão de uma recomendação na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) para que as empresas que puderem concedam a correção de 4,78% para todos os salários. Dessa maneira, o Sindicato busca ampliar a possibilidade de ganho real da categoria.

Durante a sétima rodada de negociação, que apresentou a proposta final levada à categoria, as empresas alegaram que o valor havia chegado no limite, tendo, inclusive, empresas que se opunham ao valor apresentado.

Cláusulas sociais

O impasse de negociação, no entanto, esteve presente apenas para definir o patamar abrangido pela reposição inflacionária, uma vez que a negociação das cláusulas sociais foi previamente debatido e negociado entre as partes, garantindo avanços para a categoria.

A Campanha Salarial de Jornais e Revistas da Capital 2019-2020 estabeleceu, por exemplo, que as cláusulas sociais tenham validade de dois anos. Sendo assim, a campanha de 2020-2021 preservará os direitos garantidos e se restringirá ao reajuste econômico.

Entre os avanços conquistados estão as novas redações para as cláusulas de assédios moral e sexual, que estabelecem procedimentos de denúncia para proteger as vítimas e buscar formas de apuração junto às empresas (leia as novas redações abaixo).

Outro ponto garantido para a categoria foi a reformulação da cláusula de defesa judicial aos jornalistas, que estabelece que as condições econômicas dos jornalistas sejam observadas desde o início dos processos que possam levar os profissionais a condenações solidárias às empresas por matérias publicadas (leia a cláusula abaixo).

Saiba como foi o debate durante toda a Campanha:

Campanha Salarial Jornais e Revistas 2019-2020